Como é bom ouvir a voz do vento passar, As ondas obedecem-lhe com prontidão, No Forte da Luz, ouvem-se rebentar, Por um raio de luar, vejo a sua imensidão. Uma noite de outono fria e escura, Traz pensamentos duma infância vivida, As montanhas tratavam o vento com ternura, Sinónimo duma infância nunca esquecida. Noites brancas de geada, brilhavam como vidro, Falava-se de Eça, Pessoa ou religião, Eu sempre preferi o meu livro, Outros viam o mundo na televisão. Hoje recordo (...)
Detrás da serra, sopram os ventos de Espanha, Detrás da serra, saia o sol nascente, Detrás da serra, tinha esperança tamanha, Que só terminaria com o sol no poente. Detrás da serra toda branquinha, Uma nuvem escura me alertou, Continua vivendo de mansinha, Que a vida, o futuro guardou. Olhando o mar, lembro a serra da beira, Os ideais que me despertou, A estrada da vida que é traiçoeira, Não esqueci, do que me alertou. Cresci, olhando a serra ao nascer do dia, Da janela, (...)
Dia de Reis O Dia de Reis, também conhecido como Festa da Epifania, é conhecido pelo encerramento das festividades do Natal em Portugal, sendo uma data cheia de tradições, que traduzem a ligação entre a fé, e a cultura popular. As Janeiras, cantar popular português, e bem conhecido, as reuniões familiares à volta da mesa, e o famoso Bolo Rei, algumas celebrações religiosas, são as mais conhecidas tradições que se vão mantendo no nosso país. Festejado (...)
Linda manhã de Novembro, O sol brilhava na relva orvalhada, Tela real, que não lembro, A Garça Real deambulava. Por entre as laranjeiras do Prado, Procurava o majestoso manjar, Um sapo foi consagrado, Para o desejo concretizar. Mais abaixo, desceu ao rio, Era o seu dia de sorte, Um peixe foi desafio, Já não importava o seu porte. Passeando nas margens do rio, Parou debaixo do amieiro dourado, A sua família do ninho emergiu, A mãe trouxe o manjar desejado. No (...)
Quanto tempo já vivido, Quantas vidas haverá em mim, Quantas vezes temido, O caminho escolhido sem fim. Existe no brilho das águas, Do Mar de Outono à tardinha, Uma calma, sem mágoas, O voo de partida, da andorinha. Caminhando na areia, Sinto o cheiro da maresia, Cada passo, uma ideia, Uma rima, uma luz, ou talvez ousadia. A alegria, é o prazer de viver, Sem as amarras da escuridão, Num Pôr-do-Sol ao entardecer, Quantas rimas mais virão? Maria Neves
A janela abriu-se pela manhã, As aves ecoavam o seu canto matinal, No ar o cheiro a hortelã, O sol exibia um brilho Real. Sentia algo estranho, atento, Tomava conta do lado sombrio, Que se perdia no pensamento, De quem não pisa o vazio . Asa de vento, musa do ar, Deixa cair o que sempre sonhei, Um futuro distante, alguém para amar, Prometo que em ti eu acreditarei. A rosa amarela, única naquele verão, Surgia da terra ressequida pelo calor, Nela escrevi o refrão, Pa (...)
Havia Um Cantinho Na Beira Era um cantinho pequeno, Em frente, a lareira crepitava, Onde ouvi os segredos do vento, Que no pensamento brotava. Noite dentro, madrugada, O sono pertencia ao cansaço, O silêncio da terra brotava, E a chuva caía a compasso. Ouvia-se a coruja cantar, Tão longe do amanhecer, Nem tampouco havia luar, O breu da noite, tomou o poder. Na luz do amanhecer, O vento e a chuva viajaram, Detrás da serra o Sol nasceu, As sombras das nuvens dançavam. (...)
Caminhei pela noite fria, Por entre os sons do arvoredo, Tive as estrelas como guia, Nunca deixei de seguir o segredo. Nuvens dispersas, o luar, Pelo cantar da coruja me enfeiticei, Travei lutas com as trevas, eu sei, Mas depressa a Luz encontrei. A madrugada vermelha se anunciou, Cansada, no chão me deitei, O Sol de Outono voltou, No perfume da madrugada acordei. Folhas vermelhas dançavam ao vento, Um momento crente e acolhedor, Do orvalho bebi o alento, Que o Universo advertiu (...)
Um Sonho Dançam anjos na estrada, Ao som das ondas do mar, Não há Lua na noite encantada, Não há Luz neste lugar. Pássaros brancos no rochedo, O vento canta ao passar, Traz um recado, um segredo, Enviado pelo nosso Mar. La longe, corre um rio, Nas margens crescem flores, Mata sede ao regadio, Testemunhou grandes amores. A manhã parecia distante, Quando uma luz se anunciou, Com um ruído precipitante, E dança dos anjos findou. Maria Neves