Curvo a estrada em direção ao Norte, O tempo corre apressado, A viagem torna mais forte, Quem com saudade, lembra o passado. Cumes de branco pintado, O Sol de Inverno que espreita, Contaste de cores sagrado, Tela de Inverno perfeita. Árvores despidas na berma da estrada, Oiço um pássaro negro cantar, No fim da manhã de geada, Sente, que ali é seu lugar. Viro na direção do poente, Pinheiros bravos se cruzam, Onde o pôr-do-sol é luzente, Onde (...)
Dia de Reis O Dia de Reis, também conhecido como Festa da Epifania, é conhecido pelo encerramento das festividades do Natal em Portugal, sendo uma data cheia de tradições, que traduzem a ligação entre a fé, e a cultura popular. As Janeiras, cantar popular português, e bem conhecido, as reuniões familiares à volta da mesa, e o famoso Bolo Rei, algumas celebrações religiosas, são as mais conhecidas tradições que se vão mantendo no nosso país. Festejado (...)
Não tem portões, é um caminho, Onde a relva verde tem vida, Onde pela manhã canta o estorninho, Onde não há chegada ou partida. O vento ruge na noite escura, A oliveira centenária recurva, Acolhe os pássaros com bravura, Pelos temporais do Sul, não se curva. No inverno ao amanhecer, Os pássaros fazem melodia, O sol envergonhado a nascer, Sons do mar e da terra, são magia. Arbustos despidos pelo vento, Foram estrada do temporal, A camélia vermelha em seu canto, Conc (...)
Tarde de 27 de Dezembro de 2025. A hora em que as nossas ilhas Berlengas, se avistavam tão perto. Os corvos do mar brincavam no mais icónico rochedo português. A Nau dos Corvos parecia ainda mais imponente. As cores do horizonte encantavam o mais desatento. Mas o frio cortante, o vento gelado impiedoso, obriga a sair deste local deslumbrante. As imagens constituem a essência dos nossos sentidos. Ás vezes a natureza gostará de estar Só? Feliz 2026 Maria Neves
Da ponte vejo o rio, Serpenteando a terra, Respeitando a margem, Que o seu leito fizera. Janeiro frio e chuvoso, O rio corre empossado, Pelo seu passado impiedoso, Não se revela fracassado. Ramos secos tocam a água, Despidos pela furia do vento, Para eles não ha força, nem mágua, Que lhes suprima esperança no tempo. Águas escuras correm do monte, Pássaros estranhos cantam seu hino, Debaixo de chuva aprecio da ponte, Um postal natural, e beleza divino. A vida é, como o (...)
Avisto o rochedo, no mar inquieto, Repouso o olhar, ao longo da ponte, Esperança cativa, neste mundo manieto, Talvez as respostas no horizonte. Sente-se o cheiro da primavera no ar, Voltam os pássaros que seguem a rota, Olhando para cima, não vejo um altar, No oceano, nem barco nem frota. Olhando em frente do nada, Ouve-se uma voz que não fala, proclama, A sua mentira sublimemente ensaiada, Num tom moribundo que já não inflama. Olhando de cima, piso este chão, A pedra branca, (...)
Ao longe o mar azul desafia, Conta histórias aos rochedos, Só eles sabem, eu nada sabia, Que o mar também, esconde segredos. Sopra o vento frio do Norte, Da onda, voa a espuma gelada, Toca no sopro, no desnorte, Onde a humanidade se vê trancada. Viajando pelo horizonte, Onde o desejo confunde, Onde o forte se esconde, Onde o profundo do Ser, Sucumbe. Ao crepúsculo, lentes de bruma, O manto voraz da mentira, Em que a verdade não se acostuma, No rumo que nunca assentira. Maria Neves (...)
Estou tão triste neste canteiro, Outros, floridos e encantados, É só chuva, e nevoeiro, E os meus botões abotoados. Quero o frio de Dezembro, Quero o corrupio do vento norte, Sou pequenina, mas não lembro, Um Tempo com tanto desnorte. As roseiras estão floridas, As canas crescem no desfiladeiro, As palmeiras tem folhas compridas, Eu, de botões cheia no canteiro. Sou só uma pequena cameleira, Que oferecia flores pelo Natal, Mas o tempo trocou-me as voltas, E não, não haverá (...)
Nesta árvore sustento o meu canto, Contemplo ao longe o azul do mar, Livre, solto o meu pranto, Feliz por este galho encontrar. O Inverno é duro e frio, Um Ser como eu pequenino, Ou canto ou assobio, Ou morro lento, triste e franzino. Ao amanhecer afino a minha voz, Sobre o penedo repouso o olhar, Chamo uma brisa que sopre veloz, Aqui eu canto para as ondas do mar. A Primavera tem mais encanto, Desejo construir o meu ninho, Nesta figueira sustento o meu canto, Na verdade sou (...)
Conto de Natal #O dia começou branco Foi numa manhã de Dezembro, o dia acordou branco. Eu apressei- me a ir à janela do salão, para programar a nossa Tarde Inesquecível, quando o sol derretesse o gelo. A azáfama era grande, os homens conversavam sobre a qualidade do azeite do ano corrente, por entre uns copos de aguardente para aquecer a alma, na pausa do trabalho, enquanto eu ouvia com muita atenção as fases da preparação da azeitona, antes de ir para o Lagar de azeite. Apó (...)