Detrás da serra, sopram os ventos de Espanha, Detrás da serra, saia o sol nascente, Detrás da serra, tinha esperança tamanha, Que só terminaria com o sol no poente. Detrás da serra toda branquinha, Uma nuvem escura me alertou, Continua vivendo de mansinha, Que a vida, o futuro guardou. Olhando o mar, lembro a serra da beira, Os ideais que me despertou, A estrada da vida que é traiçoeira, Não esqueci, do que me alertou. Cresci, olhando a serra ao nascer do dia, Da janela, (...)
Curvo a estrada em direção ao Norte, O tempo corre apressado, A viagem torna mais forte, Quem com saudade, lembra o passado. Cumes de branco pintado, O Sol de Inverno que espreita, Contaste de cores sagrado, Tela de Inverno perfeita. Árvores despidas na berma da estrada, Oiço um pássaro negro cantar, No fim da manhã de geada, Sente, que ali é seu lugar. Viro na direção do poente, Pinheiros bravos se cruzam, Onde o pôr-do-sol é luzente, Onde (...)
Tarde de 27 de Dezembro de 2025. A hora em que as nossas ilhas Berlengas, se avistavam tão perto. Os corvos do mar brincavam no mais icónico rochedo português. A Nau dos Corvos parecia ainda mais imponente. As cores do horizonte encantavam o mais desatento. Mas o frio cortante, o vento gelado impiedoso, obriga a sair deste local deslumbrante. As imagens constituem a essência dos nossos sentidos. Ás vezes a natureza gostará de estar Só? Feliz 2026 Maria Neves
Linda manhã de Novembro, O sol brilhava na relva orvalhada, Tela real, que não lembro, A Garça Real deambulava. Por entre as laranjeiras do Prado, Procurava o majestoso manjar, Um sapo foi consagrado, Para o desejo concretizar. Mais abaixo, desceu ao rio, Era o seu dia de sorte, Um peixe foi desafio, Já não importava o seu porte. Passeando nas margens do rio, Parou debaixo do amieiro dourado, A sua família do ninho emergiu, A mãe trouxe o manjar desejado. No (...)
Vivo num paraíso, não tenho dono, É Novembro, estou florido, Todo eu Sou um espinho medonho, Quem me tocar, ficará dorido. De amarelo me vesti, Sou destaque no pinhal, Ninguém se chega aqui, Sou "picudo", mas não faço mal. Pertenço ao mundo verde esquecido, Aquele que alguém pretende extinguir, Quando chegar o verão fico impedrenido, Pronto, p'ro braseiro consumir. Sou o Tojo Amarelo Malaquias, Orgulho-me de ser quem sou, As abelhas visitam-me (...)
É mesmo ao nascer do dia, Ainda o sol não apareceu, Dobra o cantar a Cotovia, Que um novo dia enobreceu. Canta, canta do alto do arbusto, Não tem medo do vento, Canta com alma até ao lusco-fusco, Com alegria vive no tempo. É ouvi-la bem de perto, Quando o seu canto entoa, Esta melodia deixa boquiaberto, Quem pela vida passa à toa. Este simples passarinho de poupa, Símbolo da alegria na natureza, Que de nós pede tão pouco, E canta com tanta clareza. A Cotovia... Maria Neves Foto (...)
Nesta árvore sustento o meu canto, Contemplo ao longe o azul do mar, Livre, solto o meu pranto, Feliz por este galho encontrar. O Inverno é duro e frio, Um Ser como eu pequenino, Ou canto ou assobio, Ou morro lento, triste e franzino. Ao amanhecer afino a minha voz, Sobre o penedo repouso o olhar, Chamo uma brisa que sopre veloz, Aqui eu canto para as ondas do mar. A Primavera tem mais encanto, Desejo construir o meu ninho, Nesta figueira sustento o meu canto, Na verdade sou (...)
Uma pequena gota de chuva que cai, Ao mar se juntará, A semente furtiva a atrai. Na terra se dissipará. O vento sopra de Leste, Frio, intenso e insolente, A gota percorre o chão agreste, Enche de esperança a semente. A pequena semente vestida de anis, Abraça o solo ávido de verdejar, Os dias trarão a raiz, Um prado verde irá fortificar. Pequenas gotas de água da chuva... Maria Neves
Como poder ficar indiferente, Mesmo que o cansaço se imponha, Ao por do Sol no poente, Ao mar cálido na tarde risonha. Olho cada pequena onda, Beijar devagarinho o rochedo, Perto de mim faz a sua ronda, Parece que esconde um segredo. Segredos do mar, Segredos dos tempos, Procurando apenas amar, Nem que seja só uns momentos. Porque o sol está quente, Porque a chuva acontece, Porque o Outono desmente, O que se assemelha a uma prece. Maria Neves
Desço a avenida em direção ao rio, Avisto um lindo espelho de água, Um cisne negro arredio, Aqui não há tristeza, nem mágoa. Na tarde quente de Outubro, Uma brisa sopra devagarinho, Folhas doiradas caiem ao rubro, Sabe tão bem sentir este carinho. Junto ao rio, os ruídos da água ecoam, Caindo no seu ritmo semeiam paz, Gritos furtivos dos pássaros entoam, Chamando o mais alto de que são capaz . O Outono no seu mais pleno esplendor, Os sentidos incutem confiança, A (...)