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Com um sorriso, chegas ao infinito.

Bem-vindo ao meu Blogue!

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13.08.22

Elegia Dantesca


Maria Neves

Madrugada vermelha, O canto dos pássaros foi silenciado, O fogo na serra ao inferno se assemelha, Vento que ninguém ousa calar, sopra desvairado. Viajando no tempo, no mês de Agosto, A Cascata verde escoava, O sol quente, e uma brisa no rosto, A água pelo corpo refrescava. Hoje ao meio-dia o calor abafa, A montanha está a ser consumida, A cascata está seca, A Natureza à miséria resumida. O ser humano é culpado, A Natureza cansou, a catástrofes levará, Ele vive no seu mundo (...)
08.08.22

Sem Ondas


Maria Neves

O mar cálido e brilhante, Toca nas rochas silencioso, Não há ondas, não há vento, Tudo aqui é majestoso. Não há névoa no horizonte,   Não sinto a falta do vento, Não se anuncia Levante,    Sinto-me saindo do tempo. Do outro lado do mar, Do outro lado do Sol, Para além de um simples olhar, Existe um inatingível farol. Maria Neves    
22.07.22

Doces e Verdes Árvores


Maria Neves

Dobramos aos ais, Sob a fúria do vento forte, Nos bosques e pinhais, Chega o braseiro do desnorte. Hoje sou verde e vibrante, Amanhã talvez, um tição na lareira, Enquanto me inclino ao sol da manhã, Nasci raiz, não sou uma guerreira. Vivemos no desassossego, Dia e noite em montes e vales,   Sempre envoltas no medo, Do inferno, nas mãos de todos os males. Somos o pulmão da terra, Sem árvores não haverá vida, Enquanto tudo fica cinza e morto, Chora-se a nossa partida. M (...)
18.07.22

O Lagarto da Água


Maria Neves

  Sou verde da cabeça aos pés, Sou reflexo dos pinhais, Vivo na represa, não há marés, A minha casa não tem umbrais. O calor atrapalha os meus planos, Quero apanhar o sol, restaurar a cor, Mas o mesmo espaço com humanos, Vai de mal a pior. Eu não faço mal a ninguém, Será que sou tão feio assim, Aproximei-me com os meus dentes brancos, Chamaram um exército sem fim. Pobre de mim, pensei em me aproximar, Não tinha maldade, só queria lanchar, Agora eu tenho certeza, Que na águ (...)
02.07.22

O Lugar onde o Corvo Canta


Maria Neves

Quando um dia me retirei, Triste e sem perceber, Porquê deixar o que tanto amei, Em busca da paz para viver. O Sol brilha nas águas do rio, Nunca se fez anunciar, Ele escolhe a hora do dia, Em que  volta e decide brilhar. Com o passar do tempo decidi, Colocar tudo no seu lugar, Se há factos que não esqueci, É que nunca me irei acostumar. O tempo mudou o rumo da viagem, Sou parte do lugar onde o Corvo canta, Onde o que passou foi miragem, Onde o que se passará, já não me espanta. Ma (...)
11.06.22

Asa Partida


Maria Neves

No silêncio da noite,     No meio da serra, De asa partida, Não passo da terra. Sou uma coruja, que viaja pelas estrelas Olho o céu estrelado, e vejo a Lua, No meio da noite, solto o meu canto, Viajo no chão, negra e nua, Foi-se a asa e o encanto. Sou uma coruja, que viaja pelas estrelas Na noite escura, vejo um mundo parado, Olho a copa do castanheiro, Não voo, não vou a outro lado, Estou parada no desfiladeiro. Sou uma coruja, que viaja pelas estrelas. Serei dura como uma pedra, (...)
31.05.22

Desafios no Canteiro


Maria Neves

O Alecrim Tolentino e o Cacto Zabreu  Zabreu: Boa tarde Tolentino! Tenho novidades fresquinhas. Tolentino: Então Zabreu, conta lá! Zabreu: Então ouvi dizer que vamos mudar de canteiro? Tolentino: Sim, é verdade, a jardineira já me penteou, para ficar mais verde, e com mais flores. Zabreu: Ah, tu sabias, porque não me disseste? Tolentino: Porque não me apeteceu. E também tu, foste limpinho. Para ficares mais vermelho. O Verdinho também vai. Zabreu: Olha, então temos que (...)
29.05.22

Junto ao Rio


Maria Neves

Junto ao rio Ao fundo vejo a ponte romana, A copa das árvores reflete no rio, O cheiros que a verdura emana, Chama o pato arredio. O cisne branco em ritmo lento, Sozinho, exibe a sua beleza, No fundo do rio busca alimento, Ali, ele tem toda a sua riqueza. Todo aquele espaço tem magia, Tem Paz, tem Luz, tem arvoredo, Em Maio, o calor do fim do dia, No parque, a natureza tem o seu segredo. Ao seu ritmo a noite vai caindo, As aves do dia, preparam a despedida, Também eles amando (...)
17.05.22

Chuvas de Maio


Maria Neves

Uma gota de água da chuva, Tão pequenina e transparente, Enobrece o local onde cai, Traz esperança, germina a semente. Pelo azul do céu passou, Uma nuvem branca arredia, Que num castelo se transformou, Trouxe chuva ao fim do dia. Caía sobre o solo seco, Sentia-se o cheiro a terra molhada, Contra os efeitos da seca, A favor do trabalho da enxada. Chuvas de Maio na cidade, Também produzem riqueza, Jardins exibem a sua vaidade, Na sua magnífica nobreza. Gotas de chuva em Maio Maria Neves (...)
15.05.22

O Tojo Amarelo Malaquias


Maria Neves

Vivo num  paraíso,  não tenho dono, É primavera, estou florido, Todo eu Sou um espinho medonho, Quem me tocar, ficará dorido. De amarelo me vesti, Sou destaque no pinhal, Ninguém se chega aqui, Sou "picudo", mas não faço mal. Pertenço ao mundo verde esquecido, Aquele que alguém pretende extinguir, Quando chegar o verão fico impedrenido, Pronto,  p'ro braseiro consumir. Sou o Tojo Amarelo Malaquias, Orgulho-me de ser quem sou, As abelhas visitam-me todos os dias, Serei (...)