É de manhã e acordei cedo. Hoje é dia folga da Urgência. Tirei um café e peguei um livro, enquanto aguardava o pãozinho fresco. Abri a janela, havia sol e cheirava a maresia. Mas, decidi ficar no conforto do meu Lar, que os últimos dias foram pesados e inesquecíveis. Não me refiro ao contexto profissional, esse é normal para esta época do ano. Refiro-me aos últimos acontecimentos no mundo que nos cerca. Há necessidade de pensar que não somos incólumes, enquanto existe (...)
A criança cresceu ... Estávamos em Novembro de 1970. Numa vila da Beira, um dia chuvoso e frio. Era a faina da apanha da azeitona. Eu tinha apenas oito anos. Era uma menina feliz, a quem nunca faltou muito amor e tinha tudo o que solicitava. Sonhava ser Enfermeira. Com um bago de azeitona na mão, eu olhava, e pensava. Mas como é que sai daqui o azeite? Do alto de uma oliveira um homem falou: “a menina não nasceu para olhar azeitonas, o seu avozinho quer que seja médica”. (...)