Templo Dos Temporais
Maria Neves



Não tem portões, é um caminho,
Onde a relva verde tem vida,
Onde pela manhã canta o estorninho,
Onde não há chegada ou partida.
O vento ruge na noite escura,
A oliveira centenária recurva,
Acolhe os pássaros com bravura,
Pelos temporais do Sul, não se curva.
No inverno ao amanhecer,
Os pássaros fazem melodia,
O sol envergonhado a nascer,
Sons do mar e da terra, são magia.
Arbustos despidos pelo vento,
Foram estrada do temporal,
A camélia vermelha em seu canto,
Concede ao Templo o ritual.
Perto o mar, escondido nos canaviais,
Da minha janela, observo e aprecio,
Que o Templo dos Temporais,
É liberdade, poder, é o meu desafio.
Maria Neves
[2ª edição]